Textos sobre Maria Morais



MARIA MORAIS

Apesar de termos convivido com os mesmos mestres e colegas durante os anos setenta dentro da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, foi no início dos anos oitenta que conheci a Maria Morais, a escultora, a professora e, desde então, a amiga.
Ensinar o que se sabe ao mesmo tempo que se investiga e pratica para aprofundar outros saberes, foi o posicionamento que senti e reconheci em Maria Morais face à dupla urgência de estar na vida como professora do ensino artístico e como artista plástica.
Foi este entendimento da arte e esta percepção de que seria necessário a estimulação da criatividade e das sensibilidades nos outros que contribui decisivamente para uma aproximação entre nós.
Cada um dos seus trabalhos resulta de uma metodologia em consciência com os seus propósitos iniciais. Neste processo criativo, a matéria que elegeu para se exprimir tem sido sobretudo a pedra, ajudando a estruturar uma obra enraizada num contraste claro-escuro, que frequentemente se sobrepõe a qualquer outro, e que é bastante legível mesmo na sua obra gráfica.
Maria Morais, que nasceu em Moçambique e que deixa transparecer a respiração dessa África através do mais comum dos seus comportamentos, absorveu naturalmente uma sensibilidade para as questões das volumetrias que valorizam a coisa escultória como a primeira de todas as artes. É por isso que a madeira e o marfim, os corpos, o tacto e as festas, os cheiros, as danças e rituais estão intrínsecos no seu quotidiano e na sua obra apesar de esta não ser feita de nenhuma destas materialidades. As matérias que compõem as suas plasticidades são a pedra, o bronze, o barro e o gesso transformados em corpos de embondeiros, de pétalas, de lótus, de folhas, de árvores, de oliveiras ou de fragmentos humanos que se tocam, numa consequência directa da absorção, também ela muito natural, de uma cultura de tradição greco-romana que acontece sempre muito ansiosa com a perpetuação dos seres e das coisas. E para esta perpetuação, Maria Morais tem encontrado na pedra o contributo mais eficaz.
Desde o nosso primeiro atelier, no qual ainda me recordo de um pedaço de barro em cima de um cavalete progressivamente a ser transformado na figura de Alves Redol, até aos dias de hoje sempre existiram uma cumplicidade e uma amizade intensas que muito me ajudaram.
Muito obrigado Maria Morais.
ILÍDIO SALTEIRO – Outubro de 2007
(Doutorado em Belas Artes – Pintura)
 


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